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Visto e ouvido naquela venda de portas abertas para
o estradão:
O automóvel estaciona frente à venda, levantando
poeira vermelha da estrada, naquele final de manhã
ensolarada. Alguém de longas costeletas e óculos de
sol salta do carro, batendo as mãos nas calças na
tentativa de tirar o pó e se dirige ao balcão:
—Mas, quem vejo! - diz alegremente Manuel, o
vendeiro. Zé Rico!
—Pois é, seu Manuel, eu mesmo...
—Pois vai uma pinga? Mas o senhor é o senhor mesmo,
seu Zé Rico? Sabe que esta noite, dormindo acordado,
sonhei com você?
—Não pinga, não. Primeiramente, sirva-me uma água
mineral sem estar gelada . Água mineral Prata porque
a garanta é de ouro.
—E o Milionário?
—Como eu, sempre nesta longa estrada da vida.
—Mas,
hoje ele não está com você.
—É que ele está na esperança de ser campeão,
alcançando o primeiro lugar.
—Mas acontece que vocês já alcançaram o primeiro
lugar.
—Mais de dois milhões de discos.
—E você, o que me conta?
—Estive viajando para Mato Grosso, Aparecida do
Taboado. Fiquei 60 dias. Lá, conheci uma morena, que
me deixou amarrado. Hoje bebo esta água mineral,
porque passei mal com a bebida: até mudei meu jeito
de ser, bebendo para esquecer, apaixonado.
—E a moça era bonita, assim, como se diz, valia a
pena?
—Boneca cobiçada.
—Nossa! E agora?
—Pois
olha nos meus olhos, vê que não estou chorando!
—Esqueceu ela?
—É. Coração de pedra.
—Ilusão perdida - completou seu Manuel com
seriedade.
—Dê amor a quem te ama, é meu lema.
—E afinal?
—Entenda isso, seu Manuel. Este é o exemplo da vida,
para quem não quer compreender: nós devemos ser o
que somos, ter aquilo que bem merecer.
texto de autoria de Luiz Viola
Luiz Viola pesquisou o sítio do compadre
Ricardinho para criar esta matéria.
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